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remanejando a sombra

14 Sep 2015

Algumas mudas de árvores da “compensação ambiental” relatada no post anterior, embora pareçam inofensivas, vão destruir toda a vegetação do cerrado que estamos colocando.

Não apenas o homem se encarregou diretamente de eliminar o Cerrado Paulistano por meio do desenvolvimento urbano. Indiretamente, a coleção de erros ambientais também colaborou para a extinção dessa paisagem.

O cerrado, e especificamente a coleção de plantas que sobreviveram na cidade, são heliófilas, ou seja vivem com sol, já as mudas colocadas na “compensação ambiental” são grandes árvores de mata atlântica, umbrófilas vivem com sombra.

Na natureza um grupo compete e mata o outro, com estratégias bem simples, a floresta cresce e faz sombra até acabar com o cerrado, por sua vez o cerrado acumula capim seco até pegar fogo, matando as plantas de floresta para depois renascer á partir de suas raízes subterranêas.

Esse processo natural que delimita os biomas, não acontece no ambiente da cidade, ou pelo menos não numa praça pública. A única solução é tentarmos agir o mais próximo da natureza, simplesmente remanejando algumas das árvores de maior porte, e ficarmos atentos para evitar novos problemas.

O livro Eugen Warming e o cerrado brasileiro, que conta sobre o botânico Dinamarquês e sua pesquisa pioneira de estudar o cerrado aponta:

“De um modo geral, podemos distinguir dois estratos na vegetação do cerrado: O estrato lenhoso, constituído de árvores e arbustos, e o estrato herbáceo, formado por ervas e subarbustos. Ambos são curiosamente heliófilos. Ao contrário do caso de uma floresta, o estrato Herbáceo, aqui, não é formado por espécies de sombra, umbrófilas, dependentes do estrato lenhoso. O sombreamento lhe faz mal, prejudica seu crescimento e desenvolvimento. O adensamento da vegetação lenhosa acaba por eliminar, em grande parte, o estrato herbáceo.

Por assim dizer, esses estratos se antagonizam. Por essa razão, entendemos que as formas intermediárias de cerrado – campo sujo, campo cerrado e cerrado s.s. – representam verdadeiros ecótonos, nos quais a vegetação herbácea-arbustiva e a vegetação arbórea-arbustiva estão em intensa competição, procurando, cada qual, ocupar aquele espaço de forma independente, individual. Os dois estratos não comporiam comunidades harmoniosas e integradas, como nas florestas, mas representariam duas comunidades concorrentes. Tudo aquilo que beneficiar uma delas prejudicará indiretamente a outra, e vice-versa. Elas diferem entre si não só pelo seu espectro biológico, mas também pelas suas floras, pela profundidade de suas raízes e forma de exploração do solo, pelo seu comportamento em relação á seca, ao fogo … enfim por toda sua ecologia. Toda a gama de formas fisionômicas intermediárias parece-nos expressar exatamente o balanço atual da concorrência entre os dois estratos.”

O que significa de forma simples: Plantas de sombra, não podem ser misturadas com plantas de sol.

 

PS:Toda esta explicação, foi um diálogo interno, frente á necessidade de transplantar algumas dessas árvores. Algumas pessoas que colaboravam, não entendiam a necessidade desses transplantes, e achavam essa atitude uma afronta a “natureza e liberdade de desenvolvimento das plantas”, e saíram definitivamente dos mutirões.

Depois de dois anos, algumas das árvores morreram, outras  foram incorporadas mas ainda não se desenvolvem bem. A praça é repleta de árvores atrofiadas e plantadas no lugar errado.

 

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