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OLHANDO PARA O BREJO

por Edegar Bernardes

Pirituba é um distrito da Região Noroeste do Município de São Paulo, com cerca de 31,84 km² e aprox. 168 mil habitantes. Uma das teorias para a origem do nome vem do tupi,  Piri: Taboa e Tuba: Muito, na região havia campos alagados com esta espécie conhecida como Taboa, Typha domingensis.

Outra teoria sugere que o nome surgiu devido a existência de uma lagoa em um dos braços do rio tietê a qual, em tupi-guarani era chamada de Pirituba, que significaria vegetação de brejo. Como Pirituba tem relevo bastante acidentado, obviamente essa vegetação de brejo só ocorria nas várzeas dos rios e córregos que passam pelo local. Aliás, até hoje é possível ver tal vegetação ao longo de alguns trechos da linha 7 – Rubi da CPTM, antiga São Paulo Railway construída pelos ingleses. Com relação ao resto da vegetação, é possível que ela fosse parecida com o resto da cidade, em que Mata Atlântica alterna-se com áreas de campos, além das áreas inundadas já citadas. No entanto, é difícil saber exatamente qual era essa vegetação, uma vez que praticamente não há registro histórico da paisagem natural no local. Ezequiel (2004), por exemplo, cita em seu trabalho a parca história de Pirituba.

Sabe-se que a região teve certa importância desde cedo uma vez que era passagem para a lavragem de ouro que ocorria no Pico do Jaraguá no séc. XVI. Sobre isso, o naturalista Francês, em visita ao Brasil em 1819 diz:

“É muito triste ver uma região, que pela sua fertilidade e beleza de seu clima, merecia ser chamado de um paraíso, mas tão deserto e devorado pela ganância e insensatez de seus proprietários, devorados unicamente pela sede da exploração do ouro” (Saint-Hilaire, Viagem à Província de São Paulo, 1945).

No mais, Pirituba exerceu papel importante por ali existirem fazendas importantes para a produção de café que, após a construção da São Paulo Railway e, consequentemente, da estação Pirituba, favoreceram o seu crescimento como novo núcleo populacional da cidade de São Paulo. Esses fatores dificultam ainda mais reconhecer a paisagem natural da cidade, pois a conversão do solo se deu antes de qualquer caracterização.

Atualmente, além de várzeas ao longo dos trilhos dos trens, é possível encontrar áreas de Cerrado no Parque Estadual do Jaraguá e também afloramentos rochosos com plantas características deste Domínio. Não é À toa que, segundo o Plano de manejo do parque, a vegetação de Cerrado, junto à Mata Atlântica, predominava no século XVI na região. O Artista Daniel Caballero realizou coletas de plantas típicas do Cerrado em terrenos localizados na região. Testemunho de que, se não temos mais a vegetação original, tem-se ao menos um rico banco de sementes da vegetação natural que poderá servir de ponto de partida para a implantação de locais com plantas de várzea ou de cerrado.

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