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LETICIA RITA do artístico

Artista, formada em artes pelo Centro Universitário de Belas Artes de São Paulo onde iniciou sua produção em 2000, principalmente nas linguagens da VídeoArte, Instalação, Desenho, Intervenção Urbana, Performance e Site Specífic. A partir de 2013 iniciou pesquisa em Arte Sonora, e vem estudando plataformas, programas específicos e desenvolvendo projetos e pesquisas de áudios.

EXPERIMENTO COM DRONE DE BALÃO HÉLIO

4 balões de gás Hélio, um celular acoplado. 03/06/2016

O URUTAU E A TRILHA DO FIM DO MUNDO

Por que grita Leticia Rita? Ou melhor, qual o lamento que sai da sua obra Urutau, da série Trilha do fim do mundo?

Muitas histórias rondam o Urutau, um pássaro que durante o dia, passa despercebido ao andarmos pelo campo, de tão perfeita que é sua camuflagem de toco de árvore.

Seus hábitos noturnos mantém seu mistério, se revelando finalmente quando canta um lamento triste e belo que alguns dizem ser uma anunciação da morte.

O “pássaro”, uma caixa de madeira com uma corneta preta por onde sai o som como nos antigos Gramofones, amarrada numa árvore, possui o mesmo poder mimético do Urutau original, mas não como galho e sim como mais uma das quinquilharias que se concentram na vista urbana.

Durante o dia uma bateria é alimentada por uma placa solar e no crepúsculo um mecanismo ativa o canto eletrônico, audível para os mais atentos e para os que passeiam pelas plantas do primeiro trecho de Cerrado Infinito, no bairro da Pompéia.

É de pensar por que a primeira aparição do Urutau ocorre justamente no Cerrado Infinito, como se fosse seu primeiro habitante.

O trabalho de Leticia Rita inaugura assim, um desdobramento do projeto, onde outros artistas são convidados a se relacionar com essa paisagem natural construída, mas… será que vai dar tempo de outros participarem? O mau agouro do canto trágico pode ser o anúncio de um possível fim do Cerrado Infinito, dada a complexidade e difícil entendimento de trazer á vista a “verdadeira” natureza paulistana.

Ou pode ser uma conversa que reforça sua artificialidade fantasmagórica, ao acordar um bioma irreparavelmente perdido.

Mas o Urutau tem outros carismas, para os caboclos, ele também é um símbolo de força e persistência pela forma como se proteje dos perigos e dos predadores. O canto, agora como um grito pode ser um chamado liberador de sentimentos ocultos na neblina cotidiana. Talvez possa ser então como um mestre de cerimônias, nos convidando a um ritual de entrar no Cerrado Infinito e gritar forte.

Daniel Caballero