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ESCOLA DE SONHOS CONTIDOS

por Silvia MH

O lugar da “educação” é feito de condicionamentos e coisas são desfeitas quando não atendem determinados comportamentos. As possíveis saídas desse lugar, são tentativas penosas que escapam, voltam e são contidas apenas no sonho.

Mas algo forte aconteceu durante três meses quando um “jardim selvagem” começou a crescer, plantando novidades, em um território amortecido. Adolescentes, adultos, frequentadores da instituição “escola pública”, reuniram-se por alguns dias para mover algo latente além das plantas. Construíram, conviveram e experimentaramapreender a descobrir novidades.

Mas outra convenção, as férias, interrompeu essas ações, e o jardim ficou ali, por mais de um mês sem a visita de ninguém. As ervas daninhas cresceram rapidamente, ocupando o terreno, e as plantas do cerrado se tornaram imperceptíveis, camufladas de terreno baldio.

A imagem “suja” de um matagal abandonado, pareceu um retrocesso inútil e fracassado ao esforço empregado por quase todos, e  eu mesma em mais um condicionamento, o das  simples tarefas cotidianas, não consegui mais visitar o jardim, que ficou no seu estado próprio, além do que percebemos. Mas na última  quinta-feira, pela manhã, me alertaram sobre algo que havia acontecido por lá, esqueci os afazeres e logo fui até o “pequeno cerrado”, que tinha sido limpo das ervas daninhas, e vi uma imagem de renovação, o começo de tudo, o caminho de pedras, as plantas inteiras, respirando, cada uma ocupando o lugar onde as plantamos.

O “jardim selvagem” ainda estava ali.

Fiquei feliz.

E no meio disso tudo, estava ele, Sr. Cláudio, um funcionário da limpeza da escola, que movido pela própria vontade, “limpou” o que parecia perdido aos olhos comuns, e em um ato que podemos chamar de rebeldia, por que no nosso contexto desafia a convenção, manteve todo o esforço anterior preservando as plantas do cerrado.

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