DESCOLONIZATION!!!

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DESCOLONIZATION!!! é uma plataforma colaborativa para a produção de pesquisas, entrevistas, processos, instalações, oficinas, performances, arte sonora entre outras ações desenvolvidas a partir da ativação do Cerrado Infinito, e surgiu junto com o crescimento  das primeiras plantas na trilha. Sejam nos encontros ou em atividades solo, artistas, pesquisadores, cientistas entre outros, pensam a paisagem nativa da cidade de São Paulo, usando o Cerrado Infinito como ateliê, palco e laboratório de experimentação. DESCOLONIZATION!!! Pic-Nic Internacional de Descolonização da Paisagem Vegetal Mundial é um evento aleatório realizado, para apresentar algumas dessas ações.

Cada uma das 10 edições realizadas de DESCOLONIZATION!!!, no período de 2015 a 2019, marcou um tempo diferente de desenvolvimento do Cerrado Infinito. Todos esses eventos tentaram debater e criar relações culturais, a partir da retomada da vegetação pré-colonial da cidade de São Paulo. No início do projeto, a grande dificuldade era convencer as pessoas sobre a existência do cerrado paulistano, depois de décadas de apagamento dessa fitofisionomia da paisagem e memória urbanas. Essa falta de enraizamento local, típico de grandes cidades cosmopolitas, ignora que sem os campos de cerrado, extintos pelo desenvolvimento urbano, provavelmente a própria cidade não existiria. Se o cerrado paulistano na sua funcionalidade como bioma não tem volta, seu cultivo serve de reflexão sobre nosso modelo de desenvolvimento. O projeto introduziu conceitos de arte, paisagismo e regeneração, ressignificou espécies tratadas como ervas daninhas e passou a ser vivenciado no cotidiano da cidade, como um lugar de visitação. Se ainda tem muito o que ser entendido, a pandemia d a C OVID -19 interrompeu o evento e as ações coletivas de plantio do Cerrado Infinito, razão de ser do projeto. Engana-se quem pensa que uma vez feito, o Cerrado Infinito se mantém por si, como se a natureza seguisse um conjunto de movimentos sempre em curso, no sentido da sua conservação. A cidade substituiu o equilíbrio natural que existia, pela nossa presença e atividades, criando um território completamente hostil a sua própria vegetação nativa, que destituída das suas relações ecossistêmicas, pode apenas sobreviver se for permitida pelos cidadãos. Seu cultivo é um processo de cura pessoal e coletiv a , que apresenta novas camadas de entendimento, à medida que se trabalha na terra e se cria um ambiente urbano mais saudável, um refúgio de polinizadores e fertilidade, resgatando a história do seu processo de desaparecimento. Não é um percurso fácil, o cultivo de cerrado é a antítese da cultura agrícola sobre a  qual se funda o entendimento ambiental das pessoas, um consenso praticamente unânime e equivocado quando se baseia unicamente na fertilidade orgânica da terra preta. O cerrado , pelo contrário , vive da sagrada terra vermelha, pobre em nutrientes, mortal e excludente para outros tipos de vegetação não adaptadas a essa situação. Conceitualmente nos demonstra que existem várias ecologias, e vai além da sombra das árvores da floresta, como uma vegetação solar que se contrapõe aos edifícios que crescem na cidade. Também o desrespeito pelo espaço público é uma constante que ocorre muito além do Cerrado Infinito e da própria Praça da Nascente, roubos de plantas, depredação e lixo , além da competição com o exército de plantas exóticas que tomaram seu lugar, são desafios permanentes a essa comunidade vegetal. Apesar disso , a paisagem se manteve durante a pandemia, com algumas doações e a venda de camisetas que deram recursos para contratar jardineiros para sua manutenção. Nesse período, recebemos também uma generosa ajuda da equipe de áreas verdes da prefeitura, o que indica uma mudança no tratamento a esse tipo de vegetação, de evitar moitas em áreas públicas superando uma ideia de controle visual dos espaços. Se o cerrado tem aos poucos deixado de ser referido como o primo feio das grandes florestas tropicais para ser apreciado e entendido de forma mais ampla, avanços importantes foram feitos por meio de associações de coletores de sementes, paisagistas mais atentos às questões ambientais, o desenvolvimento ainda em curso de técnicas de restauração, entre diversas outras iniciativas ambientais as quais o Cerrado Infinito se insere, como ativador artístico ruderal, de uma nova estética da savana. Ao mesmo tempo as consequências como a relação do seu desaparecimento com a falta de água, entre outros sintomas se tornam gritantes. O cerrado vai muito além de likes em fotos de flores e paisagens deslumbrantes, compartilhadas em redes sociais, são necessárias ações concretas e um posicionamento de toda a sociedade para interromper o desastre do seu fim em curso. Mas será que a pandemia, por fim vai acabar de fato? Teremos novos plantios e DESCOLONIZATIONS??? O cerrado será infinito? Saberemos em breve. Por ora apenas constatamos que o infinito é uma vontade, que apenas se pode realizar coletivamente.

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É preciso entender que nenhum tipo de ação de plantio, seja o Cerrado Infinito, projetos de paisagismo ou de restauro podem conter a destruição em curso do Cerrado e outros biomas, se não mudarmos o modelo de desenvolvimento atual. Qualquer tentativa de preservação do Cerrado sem uma ênfase grande em conservação esta fadada ao fracasso. No entanto todas essas iniciativas são ferramentas de pesquisa e educação importantes e  uma necessidade para redução de danos as atividades humanas. Politicamente ainda não existe um consenso sobre a conservação dessas áreas naturais como podemos ver no incêndio criminoso, feito intencionalmente dentro da área protegida do Parque Nacional da  na Chapada dos Veadeiros em Outubro de 2017.

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É preciso entender que nenhum tipo de ação de plantio, ou qualquer  outra tentativa de preservação do Cerrado sem uma ênfase grande em conservação esta fadada ao fracasso. Precisamos desocupar alguns lugares para o cerrado prosperar por si, como se não existíssemos Politicamente ainda não existe um consenso sobre a conservação dessas áreas naturais como podemos ver no incêndio intencional dentro da área protegida do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros em Outubro de 2017.