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DESCOLONIZATION!!!#04 

Picnic Internacional de Descolonização da Paisagem Mundial - 15.Outubro.2017

O DESCOLONIZATION #04, aconteceu em um dia nublado, centrado no lançamento da cerveja Infinita.

O novo projeto, uma parceria com o sommelier Elvis Rocha, apresenta nesta primeira safra, o sabor do fruto do caraguatá, uma bromélia que foi introduzida no Cerrado Infinito pelo Lúcio Tamino, justamente numa ação de plantio durante o primeiro DESCOLONIZATION!!!

Esta edição pareceu muito com a primeira, sem nenhuma pretensão além de fazer um picnic improvisado.

Não planejamos muita coisa, nem convidamos ninguem, alguns vieram apenas para experimentar a cerveja e depois foram embora, outros, chegaram tarde demais e já tinha acabado.

Seja como for a tentativa era se reunir pra não fazer nada a não ser, se reunir.

O som que tocou o dia todo era música para plantas, desenvolvidas "cientificamente" para elas crescerem mais rápido e felizes. ( A verdade, é que se trata de música  para humanos não fazerem nada com as plantas, e assim elas se viram e crescem sozinhas! )

Nesse clima vegetal, com todo mundo junto, relax, numa calmaria oposta á edição anterior, Tereza Siewerdt, a única artista que tinha combinado fazer algo prévio, propõe um Ikebana coletivo com algumas plantas do cerrado infinito, sobre a pedra do careca.

De última hora, Anna Luiza Marques decide apresentar uma dança com as plantas, um experimento recente que esta ficando cada vez melhor, onde ela mimetiza as plantas do cerrado.

Logo depois a Silvia MH declama espontaneamente um texto da Hilda Hirst, já sem nenhum combinado.

Talvez isso aponte ser desnecessário o DESCOLONIZATION!!! ser um evento, e ao contrário, serem ações absorvidas pela paisagem.

Eventos são aquelas coisas que tem o objetivo de bombar, encher de gente e no fim virar um entretenimento, nada contra.

Mas o Cerrado Infinito e a praça como um todo com as nascentes merecem um outro tipo de atenção, distraída e mais intimista. Não existe na cidade de São Paulo, uma praça com nascentes, e formações rochosas preservadas onde a vegetação mais autêntica paulistana consegue prosperar.

Continuemos!

Daniel Caballero

IKEBANA

Teresa Siewerdt

1/5

Ikebana do cerrado.

DANÇA COM PLANTAS

Anna Luiza Marques

Animal, vegetal, dança fotossíntese.

Hilda Hirst

Silvia MH

Um dia Daniel me falou algo sobre a escritora Hilda Hilst. Guardei Aquilo na cabeça, e fui pesquisar sobre a sua obra. Encantada, encontrei em suas palavras coisas que eu precisava dizer. Questões relacionadas com o movimento da minha vida, a arte, e a essência do processo de manter um jardim “vivo”, o cerrado infinito. Fiz uma adaptação de um dos textos que escrevi : “Trançado Vermelho”, com um trecho do poema “Alcoólicas” de Hilda Hilst. Ele foi apresentado , através da leitura no último evento do Descolonization.


Paráfrase de um trecho do poema de Hilda Hilst


É crua a vida. Alça de tripa e metal
Nela despenco: pedra mórula ferida.
Quando sinto dor, amarro todas as partes
do corpo. Tranço órgãos e organismos, de modo que os
“sentidos” fiquem presos na pele, nos pelos e fios.
Mas, a irregularidade da forma, sempre deixa
Escapar “coisas”.
É crua a e dura a vida. Como um naco de víbora.
Como-a no livor da língua.
Tinta, lavo-te os antebraços, vida, lavo-me
No estreito-pouco
Do meu corpo.
Condicionado, aciona elementos do cotidiano,
e quando desativado classifica espécies em valores:
Humano 1, Humano 2, Humano 3
Avesso corpo,
Despido
Vulnerável, submetido, “exposto” aos que se escondem
(prisioneiros que provocam rebelião no escuro)
Lavo as vigas dos ossos, minha vida
Tua unha plúmbea, meu casaco rosso.
E perambulamos de coturno pela rua
Rubras, góticas,altas de corpos e copos.
O vermelho provoca.
Confusão naquele que é observado
(memórias não cabem mais aqui)
São apenas objetos ( resto de coisas), feito bolhas, duras, brutas, mas brilham...
A vida é crua.
Faminta como o bico dos corvos
E pode ser tão generosa e mítica : Arroio, lágrima, Olho d’água, bebida.
A vida é líquida.