PROCESSO

29.11.2015

No Cerrado da Pompeia, o que parece um volume exuberante de vegetação nativa, na verdade, é um recheio vegetal de invasoras, que cresceu assustadoramente com as constantes chuvas da primavera.

Invasoras são plantas que se reproduzem e se espalham rapidamente, e competem com as plantas nativas. Elas podem ser ruderais também, mas o que as define é a agressividade em ocupar áreas.

O capim braquiária, talvez da época que o bairro da pompéia tinha pasto, sempre  presente na praça,  cresceu camuflado entre as plantas do cerrado, e agora começa a aparecer e se impor.

Passamos então a maior parte do tempo tentando eliminar o maior número dessa planta. Mas uma planta do Cerrado se destaca, tentando um contra ataque,  a Macela do Campo,   que se estabeleceu muito bem no Cerrado Infinito.

Suas flores amarelas alegram a paisagem, e já conseguimos fazer uma primeira colheita para usar como chá, sem afetar o visual.

A paisagem existe, as plantas estão lá e continuamos adicionando nov...

27.11.2015

O que seriam plantas indesejadas, ervas daninhas ou espécies invasoras? E quem invade quem agora? Se a paisagem vegetal, anterior ao processo de colonização européia e construção da cidade, foi eliminada pelas constantes interferências da atividade humana, que tipo de planta poderia sobreviver no seu lugar?

A instabilidade que define o meio urbano,  tem origem numa mentalidade ilustrada no velho bordão, “São Paulo a cidade que não pode parar”, um lugar de terras reviradas e rios canalizados, que só permite de verdade uma natureza ruderal.

Ruderais, do latim Ruderis, que significa entulho, é a denominação de plantas de reprodução absurda, crescimento veloz e estratégias de sobrevivência sofisticadas. Não adianta arrancá-las, algumas se multiplicam pelos restos de raízes que deixamos na terra, outras lançam milhares de sementes que brotam em tempos diferentes, garantindo novas safras mesmo  que sejam eliminadas, além daquelas que tem sementes que  voam longe com o vento....

22.11.2015

Na Praça da Nascente já se estabeleceram as plantas mais características dos Campos de Piratininga que ainda podem ser encontradas em alguns terrenos baldios da cidade. Quando essa vegetação se estabilizar vamos reintroduzir algumas espécies que foram extintas na metropóle.

Entre as pessoas que entram e olham as plantas e as crianças brincando na trilha, por algum motivo sempre aparecem músicos para tocar algo por perto.

São sempre bem vindos, e neste mutirão apareceu Bocudo, Sandro e Guima, da banda Ummaguima!, tocando várias das suas músicas na trilha do cerrado.

Foi plantado: Manacá do campo, milho de grilo, rabo de burro, carqueja, cambará, elegante, malva, cidreira do campo, nó de cachorro, barbasco, lucera

Participaram do mutirão: Marcos Xavier, Leticia Rita, Luciano, Mariana Prata,  Daniel Caballero, Luiza, Elcio, Bocudo, Guima e Sandro

20.11.2015

O ano letivo vai chegando ao fim, e enquanto as aulas não acabam, adicionamos mais plantas ao Cerrado Infinito da E.E. Jardim das Camélias.

Moitas de vassourinha e rabo de burro são plantadas criando volumes, enquanto conto um pouco sobre uma nova espécie para eles, a macela do campo.

A macela é uma planta com várias propriedades medicinais, além de chá as suas flores servem de recheio para travesseiros que se diz popularmente, serem bons para insônia.

É interessante saber que muitas plantas fazem parte á tempos, da farmacologia popular e são usadas até hoje. Levando em conta que se reproduzem a custo zero e sem taxas de impostos, parece ser uma boa ideia dar ênfase a essa utilidade.

O Cerrado Infinito pode ser uma farmácia ou até um pomar disponível para quem precisar ou quiser.

A direção, alguns professores e principalmente os alunos, adotaram o projeto, alguns já se prontificando a continuar, mesmo depois do fim das aulas.

Enquanto deixarem vamos plantando.

Participaram: Silvia M...

15.11.2015

Nos terrenos baldios o mato cresce. Mato, significa campos não cultivados, uma denominação depreciativa em geral acompanhada de uma ação, como cortar o mato, queimar o mato, limpar o mato entre outras formas de eliminação.

De certo, o mato crescendo com sua autonomia e integridade própria é um movimento contrário ao controle que temos no espaço urbano.

O mato dos terrenos baldios é um subproduto cultural, de todo tipo de vegetação que introduzimos e da maneira como usamos os territórios urbanos.

Algumas plantas completamente adaptadas ao entulho, e as mudanças cotidianas na geografia urbana, se estabelecem com seus ciclos curtos, rápidos e de reprodução avassaladora.

Essas pioneiras chamadas de ervas daninhas, tem o papel de consertar, preparar o solo, enfim dar condições para que uma vegetação mais complexa se estabeleça.

E no meio disso, eventualmente encontramos fragmentos  ou espécies sobreviventes do cerrado.

E o que seria o mato de um terreno baldio? Costumo pensar como um territó...

09.11.2015

Os jardineiros da prefeitura são treinados para  cortar tudo ao máximo, dessa forma só voltam quando o mato fica novamente alto, evitando gastos. Com as chuvas, as gramas crescem muito rápido, se misturando com tudo o que plantamos e formam uma grande massa verde.

Para evitar alguma confusão, adiantamos o trabalho da prefeitura cortando o gramado ao redor do Cerrado Infinito. Vamos continuar fazendo isso até as plantas do cerrado se estabeleçam. Depois vão seguir seu curso natural e se virar sozinhas.

Foi plantado: Araçã do campo, vassourinha, e língua de tucano.

Participaram do mutirão, Marcos Xavier, Sr. Pedro, Sr. Élcio, Mariana Prata e Daniel Caballero.

01.11.2015

No meio do feriado com tempo de chuva, retiramos um pouco da grama, e preparamos a terra para novas mudas. Entre a vegetação exuberante com muitas flores brotando, percebemos que alguém, aos poucos tem retirando as hastes dos rabos de burro, e em algumas áreas já desapareceram. É difícil sabermos o motivo, resta especular. Poderia ser para fazer um arranjo decorativo? Ficaria chique, mas isso pede uma inversão sofisticada de valores, o mais comum nesse caso, seria colher as inúmeras flores que estão nascendo, e ignorar o rabo de Burro.

Outra possibilidade seria uma intenção de limpeza, retirando as hastes, aparentemente mortas, que contrastam com o verde da primavera. Neste caso, existe uma dificuldade de ver as coisas como são, entender a beleza das estacões e ciclos das plantas. É uma limpeza inútil, mais da metade do ano as hastes do rabo de Burro, tem o aspecto seco amarronzado, e retirá-las apenas descaracteriza a paisagem do cerrado.

A terceira opção é simplesmente vandal...

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