PROCESSO

27.09.2015

Com uma semana de tempo nublado e chuva, as plantas respondem rápido, e o cerrado vai ganhando tons de verde, o conjunto de plantas já substituiu o gramado, e agora só falta se desenvolver e estabilizar. A descoberta de um novo terreno baldio com vegetação de cerrado, permite uma coleta de espécies mais variada. O mutirão termina com uma rápida sessão de desenhos das plantas promovida por mim.

O desenho é uma maneira de prestar atenção em cada uma delas, suas formas, as relações entre elas, e uma série de outras coisas para serem observadas.

Foi plantado: Orelha de onça, araçã do campo, vassourinha, cambará, rabo de burro, macela do campo e língua de tucano.

Participaram, Mariana Prata, Silvia M, Evandro Saroka, Julia Vieira,  Luiza Caballero, Daniel Caballero e Andressa Vieira

21.09.2015

Com o  sol a pino, assumimos uma rara falta de disposição em fazer avançar a trilha.

Em vez disso procuramos aprimorar o Cerrado Infinito, e nos ocuparmos de tarefas mais simples como regar as plantas. Também começamos um plantio de arbustos na área mais inclinada do terreno, e colocamos estacas de contenção para evitar erosões na trilha.

Pausa para conversar na sombra da Aroeira Vermelha e fazer um breve balanço das atividades. Nestes três meses  em plena seca de inverno,  plantamos uma boa amostra de espécies sobreviventes dos Campos de Piratininga. Façanha apenas possível, com a ajuda de inúmeras pessoas, que deram um pouco de seu tempo,  energia e principalmente sua imaginação para a coisa acontecer.

Muito obrigado á todos, agora na primavera vamos continuar andando e ver onde esse caminho vai dar.

Foi plantado: Sete Capotes e Cambará

Participaram, Mariana Prata, Silvia M, Marcos Xavier, Evandro Saroka, Malú Alegre, Carol, Luiza Caballero, Daniel...

18.09.2015

Neste mutirão o objetivo foi concluir a trilha. Atendendo a solicitações diversas o Cerrado Infinito vai esbarrando nos  limites e resta nos dedicarmos a continuar enriquecendo a vegetação aos poucos com novas espécies.

O destaque desse mutirão foi a ajuda do Seu Pedro, que já tinha colaborado com o Cerrado Infinito, plantando algumas mudas de caraguatá e ananãs do cerrado.

Desta vez deu uma uma aula de como usar enxada sem esforço, era incrível ver como o mesmo instrumento rendia nas mãos dele. Também explicou muitas coisas sobre como podar direito as árvores e como as plantas do cerrado são boas para diferentes usos dos pássaros.

Foi um alívio escutar alguém que de fato tem intimidade pratica com a terra, e a esta altura começo a me cansar de assuntos que não tem nada a ver com nada que estamos fazendo, como por exemplo técnicas de agrofloresta, mentalizações positivas e novidades da física quântica. Prefiro me voltar para a “tecnologia” que as próprias plantas desenvolveram evolui...

16.09.2015

O tempo muda totalmente, as fortes e constantes chuvas da semana passada, em dois dias de calor e sol ficam para trás.

As plantas que aproveitaram as chuvas para crescer, voltam a sofrer com o sol, principalmente as plantadas no último mutirão e o desmame de uma das árvores que iriamos transplantar vai ter que ser adiado até as chuvas voltarem.

Tudo isso apenas mostra que o tempo da natureza é outro, diferente do que planejamos, e que precisamos respeitar cada planta que é introduzida no cerrado de acordo com essas circunstâncias.

Portanto agora o Cerrado Infinito, um sistema construído artificialmente, começa a ganhar sua própria voz, que lentamente apreendemos a escutar, e os mutirões podem ser além de ação, cada vez mais momentos de reflexão.

Este projeto ganha sentido ao fazer a natureza assumir o comando mudando a cultura.

Precisamos apreender com o que está bem na nossa frente, as plantas!

Algumas mudas de árvores da “compensação ambiental” relatada no post anterior, embora pareçam inofensivas, vão destruir toda a vegetação do cerrado que estamos colocando.

Não apenas o homem se encarregou diretamente de eliminar o Cerrado Paulistano por meio do desenvolvimento urbano. Indiretamente, a coleção de erros ambientais também colaborou para a extinção dessa paisagem.

O cerrado, e especificamente a coleção de plantas que sobreviveram na cidade, são heliófilas, ou seja vivem com sol, já as mudas colocadas na “compensação ambiental” são grandes árvores de mata atlântica, umbrófilas vivem com sombra.

Na natureza um grupo compete e mata o outro, com estratégias bem simples, a floresta cresce e faz sombra até acabar com o cerrado, por sua vez o cerrado acumula capim seco até pegar fogo, matando as plantas de floresta para depois renascer á partir de suas raízes subterranêas.

Esse processo natural que delimita os biomas, não acontece no ambiente da cidade, ou pelo menos não numa praça pú...

A respeito da trilha crescer a cada mutirão, limites começam a surgir impondo restrições.

Um parte do gramado é reclamado para fazer picnic, uma causa justa, que de maneira alguma afeta o projeto, simplesmente mudamos a direção do caminho.

Pensar a geografia e os usos da Praça Homero Silva, é um exercício saudável. Muitas coisas foram feitas de forma errada ao longo do tempo, com o descaso e abandono que o local passou.

Um bom exemplo é a desastrada  compensação ambiental , onde as árvores  foram plantadas sem nenhum critério.

A primeira pergunta que vêm á mente é o que fizeram de errado? A segunda é por que fizeram o plantio dessa forma tão grosseira desconsiderando o espaço de uso da população?

Á despeito de querermos cada vez mais árvores, essas foram colocadas em um dos últimos espaços de gramado que sobraram na praça, destinados a tomar sol e outros usos.

Sem dúvida essas árvores, seriam bem úteis em outra área, se tivessem tido a delicadeza de consultar as pessoas que us...

11.09.2015

Com uma semana de chuvas fortes, as plantas despertam na forma de brotos verdes.

Para quem achava o conjunto de plantas que chamamos de Cerrado Infinito, uma coleção de plantas mortas e secas se surpreende, com uma mudança rápida.

No trecho mais antigo da trilha já predomina um volume de vegetação verde salpicado com as flores multicoloridas das lantanas e as flores brancas dos araçãs.

A população da raríssima eegante, se desenvolve bem com as inflorescências começando a brotar.

No entanto a terra vermelha exposta na trilha se transformou em lama intransitável.

A solução foi fazer uma manutenção extra,  recobrindo a trilha com pedriscos para manter o caminho estável, e evitar erosões.

No trecho novo, onde o declive do terreno é mais acentuado, colocamos brita, o que pareceu uma agressão estética para algumas pessoas. O certo é que essa Brita vai rapidamente penetrar na terra, com um pouco do uso na caminhada, da chuva e do sol, e posteriormente  vai desaparecer da vista quando recobrirm...

Os capins queimados da praça ainda chocam algumas pessoas. Sem dúvida foi desagradável, mas temos que lidar com esse tipo de coisa pois é uma área pública aberta.

Enquanto as pessoas apreendem a conviver com as plantas, podemos aproveitar e pensar sobre a relação delas com o fogo.

Consultando a literatura, a verdade pode parecer cruel para alguns, mas algumas das plantas como o capim rabo de burro, são bem adaptadas ás queimadas.

Um maço seco serviu para uma experiência controlada. Ao acender o isqueiro, a combustão intensa dura pouco, queimando apenas a palha seca que na forma de cinzas, fertiliza a própria planta. As raízes, logo na primeira chuva geram novos e vigorosos brotos, demonstrando como o fogo faz parte da evolução de algumas das espécies do cerrado.

As queimadas naturais que acontecem em intervalos de anos, atuam como delimitadoras do próprio ecossistema, impedindo a colonização de espécies invasoras, que poderiam transformar o cerrado numa flores...

06.09.2015

Com o começo das chuvas a terra fica mais fácil de trabalhar, aproveitamos para retirar grama, incorporando alguns dos mulungus “Erythrina speciosa” da praça. Típico de beiras de rios e campos úmidos de São Paulo, apesar de seu aspecto retorcido e espinhento sugerir um campo mais seco de cerrado.

Hoje é muito associado á Mata Atlântica, provavelmente por ser o único bioma que restou, é um exemplo de planta que transita entre diversos ambientes.

Foi plantado: Língua de tucano, uma nova variedade de lantana, e orelha de onça, coletadas no Bairro do Limão, e um pequi paulista.

Participaram Silvia M, Marcos Xavier, Roberta Soares, Daniel Caballero, Renata Camargo, Júlia Vieira, Andreia Pesek, Evandro Saroka. Contamos também com a visita da curadora Italiana Mariaelena Cappuccio.

Hoje de manhã encontrei uma parte do Cerrado Infinito queimado, não sabemos a motivação de quem fez isso ou se foi acidente.

Foi um espanto, em contraste com um dia anterior de celebração, algumas pessoas ficaram bem irritadas, queriam botar a boca no trombone nas redes sociais.

Tentei fazer as pessoas desistirem disso, e tentarmos assimilar o que ocorreu.

As pessoas tem que apreender a lidar com as plantas, e usei o ocorrido para explicar sobre a dinâmica do fogo no cerrado.

Fogo é dor! A idéia não é bem aceita, e também me questionam sobre segurança do cerrado em caso de incêndio.

Algumas plantas como o capim rabo de burro, que ficam secas no inverno e acumulam muita palha, são bem inflamáveis. Se elas dominassem uma extensão grande poderíamos correr um risco de incêndio. Por isso as  plantamos em grupos menores, intercaladas com tipos de vegetação mais úmida que barra um pouco as chamas, embora com o tempo elas vão ocupar a parte do terreno que acharem conveniente. De qualquer forma, a t...

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