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Plantasia - Mort Garson 1976,  versão vaporwave.

A volta do nosso amigo Saroka, relatada no texto anterior, sintomaticamente foi a última postagem regular que escrevi. Naquela altura, sobraram apenas duas pessoas do começo do projeto. Entre algum outro motivo, o principal era bem claro, a falta de entendimento do cerrado e do que estavamos fazendo.

Originalmente as postagens, eram apenas registro da sua evolução,  mas tive que aumentar os textos e trazer informações e reflexões conforme necessário, numa tentativa das pessoas entenderem. Não sei se tive um grande sucesso local, mas pessoalmente foi ótimo, aprendi muita coisa rapidamente.

De fato, é realmente difícil sem ter o que ver, mudar uma cultura urbana contaminada com idéias românticas de meio ambiente, algumas tão arraigadas, que até mesmo profissionais do assunto tem dificuldade em se libertar.

Acredito que ninguém pode se excluir completamente disso, até por que o inverso, a reação ao romantismo com um ceticismo técnico ou te...

Saroka é um pássaro russo, que dizem as lendas é muito sagaz, conectado com sabedorias ocultas.

O Saroka do Cerrado Infinito, é nosso amigo nômade que depois de uma temporada morando dentro da exuberante mata atlântica de Ilhabela, passa ligeiro em São Paulo antes de ir em busca de novas paisagens.

Hoje as trilhas assentadas no asfalto, são as vias percorridas dentro do nosso habitat exclusivo. Seus destinos agora são móveis, mudando nossos fluxos de deslocamento conforme o que se estabelece nas suas margens.

Já no Cerrado Infinito a trilha de terra que se forma ao plantarmos nas beiradas, desprograma lentamente o território dentro da cidade.

Para que serve esta pequena trilha de 50 passos? Aparentemente não leva a lugar nenhum que não seja um encontro com a vegetação, o que já é suficiente para diferenciar o Cerrado Infinito de um terreno desocupado.

Depois do carnaval e um inédito fim de semana sem mutirão, ao voltar percebi como o mato cresceu rápido, estreitando a trilha em alguns...

Algumas mudas de árvores da “compensação ambiental” relatada no post anterior, embora pareçam inofensivas, vão destruir toda a vegetação do cerrado que estamos colocando.

Não apenas o homem se encarregou diretamente de eliminar o Cerrado Paulistano por meio do desenvolvimento urbano. Indiretamente, a coleção de erros ambientais também colaborou para a extinção dessa paisagem.

O cerrado, e especificamente a coleção de plantas que sobreviveram na cidade, são heliófilas, ou seja vivem com sol, já as mudas colocadas na “compensação ambiental” são grandes árvores de mata atlântica, umbrófilas vivem com sombra.

Na natureza um grupo compete e mata o outro, com estratégias bem simples, a floresta cresce e faz sombra até acabar com o cerrado, por sua vez o cerrado acumula capim seco até pegar fogo, matando as plantas de floresta para depois renascer á partir de suas raízes subterranêas.

Esse processo natural que delimita os biomas, não acontece no ambiente da cidade, ou pelo menos não numa praça pú...

A respeito da trilha crescer a cada mutirão, limites começam a surgir impondo restrições.

Um parte do gramado é reclamado para fazer picnic, uma causa justa, que de maneira alguma afeta o projeto, simplesmente mudamos a direção do caminho.

Pensar a geografia e os usos da Praça Homero Silva, é um exercício saudável. Muitas coisas foram feitas de forma errada ao longo do tempo, com o descaso e abandono que o local passou.

Um bom exemplo é a desastrada  compensação ambiental , onde as árvores  foram plantadas sem nenhum critério.

A primeira pergunta que vêm á mente é o que fizeram de errado? A segunda é por que fizeram o plantio dessa forma tão grosseira desconsiderando o espaço de uso da população?

Á despeito de querermos cada vez mais árvores, essas foram colocadas em um dos últimos espaços de gramado que sobraram na praça, destinados a tomar sol e outros usos.

Sem dúvida essas árvores, seriam bem úteis em outra área, se tivessem tido a delicadeza de consultar as pessoas que us...

Os capins queimados da praça ainda chocam algumas pessoas. Sem dúvida foi desagradável, mas temos que lidar com esse tipo de coisa pois é uma área pública aberta.

Enquanto as pessoas apreendem a conviver com as plantas, podemos aproveitar e pensar sobre a relação delas com o fogo.

Consultando a literatura, a verdade pode parecer cruel para alguns, mas algumas das plantas como o capim rabo de burro, são bem adaptadas ás queimadas.

Um maço seco serviu para uma experiência controlada. Ao acender o isqueiro, a combustão intensa dura pouco, queimando apenas a palha seca que na forma de cinzas, fertiliza a própria planta. As raízes, logo na primeira chuva geram novos e vigorosos brotos, demonstrando como o fogo faz parte da evolução de algumas das espécies do cerrado.

As queimadas naturais que acontecem em intervalos de anos, atuam como delimitadoras do próprio ecossistema, impedindo a colonização de espécies invasoras, que poderiam transformar o cerrado numa flores...

Hoje de manhã encontrei uma parte do Cerrado Infinito queimado, não sabemos a motivação de quem fez isso ou se foi acidente.

Foi um espanto, em contraste com um dia anterior de celebração, algumas pessoas ficaram bem irritadas, queriam botar a boca no trombone nas redes sociais.

Tentei fazer as pessoas desistirem disso, e tentarmos assimilar o que ocorreu.

As pessoas tem que apreender a lidar com as plantas, e usei o ocorrido para explicar sobre a dinâmica do fogo no cerrado.

Fogo é dor! A idéia não é bem aceita, e também me questionam sobre segurança do cerrado em caso de incêndio.

Algumas plantas como o capim rabo de burro, que ficam secas no inverno e acumulam muita palha, são bem inflamáveis. Se elas dominassem uma extensão grande poderíamos correr um risco de incêndio. Por isso as  plantamos em grupos menores, intercaladas com tipos de vegetação mais úmida que barra um pouco as chamas, embora com o tempo elas vão ocupar a parte do terreno que acharem conveniente. De qualquer forma, a t...

A estiagem dura duas semanas e é necessário regar as plantas diariamente. Felizmente na praça foi feita uma cacimba á partir de uma nascente no chão. É chato pegar água subir e descer, e repetir tudo mas quanto mais plantas, mais água é necessária. Os próximos mutirões, vão ser menos expansionistas, e consolidar a área que já plantamos, até voltarem as chuvas.

Foi plantado: Capim rabo de burro, macela do campo, e duas línguas de tucano

Participantes: Andrea Pesek, Evandro Saroka, Rosara Frank, Renata Camargo, Andressa Vieira , Mariana Prata, Luiza Caballero, Silvia M, Marcos Xavier e Carol.

Melhoramos os degraus da escada lateral, e continuamos insistindo em retirar a grama, expandindo a área plantada.

Novas pessoas surgem, a Andressa e o Saroka que rapidamente me ajudam a pensar e colocar no ar o site do Cerrado Infinito. Também a Silvia MH que ficou encantada com as plantas.

Outras pessoas que frequentam a praça, moradores da região, passam e param para comentar o que fazemos, a atividade gera grande curiosidade.

Foi plantado: Capim rabo de burro, capim rabo de burro imperial (? ), macela do campo e jurubeba.

Participantes: Andrea Pesek, Evandro Saroka, Andressa Vieira, Mariana Prata, Luiza Caballero, Silvia M, Marcos Xavier, Lu Cury, Adriana Carvalho,Renata Camargo, Rosara Frank e Didier Lavialle.

Planta rasteira e sem carisma, passa desapercebida até que, como o nome científico Eryngium elegans indica, um longo e fino caule começa a crescer, até se ramificar elegantemente, terminando com inflorescências em forma de bolinhas brancas em cada ponta, lembrando um móbile.
Um dos nomes populares, gravatá-do-banhado, sugere que gosta de água, mas não é um tipo de bromélia, e sim uma espécie menor de língua de tucano.
Na emergente cultura do Cerrado Infinito, ela já é chamada por quase todos de elegante, então esse é o termo que usamos.

A planta cativou todos pela sua simplicidade e depois de algumas semanas o caule começou a brotar. Desde então ela tem se reproduzido razoavelmente bem.

A trilha fica em um morro bem inclinado e o percurso não podia seguir em frente.

O Marcos Xavier encontrou a solução fazendo uma escada lateral cavando na terra, com ela descemos contornando uma das moitas de plantas e dobramos o percurso rapidamente, fazendo um retorno.

Foi uma atitude importante fazer uma ida e uma volta, primeiro para sair do impasse e podermos continuar,  também para o percurso não se tornar uma reta monótona.

Mas o mais importante era que isso me fez pensar nesse percurso como algo que de fato não deveria acabar nunca, ser infinito. A trilha tinha que se desenhar no terreno como algo que prolongasse ao máximo a experiência da caminhada entre as plantas.

Também retiramos a grama que já voltava a crescer, e preparamos mais uma área do terreno para plantar novas mudas.

Foi plantado : Capim rabo de burro, capim rabo de burro imperial ( ? ) e macela do campo.

Participantes: Andrea Pesek, Daniel Caballero, Julia Vieira, Lu Cury, Mariana Prata, Luiza Caballero e Marcos Xavier.

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